Capítulo 02: Um porco… invocado?
“““Ooooh!!!”””
Ao ouvir os gritos de comemoração que ecoavam ao seu redor, Rina abriu lentamente os olhos.
Parecia estar deitada em um quarto pouco iluminado.
— …Su… sucesso… conseguimos!!
Não estava claro o que exatamente havia sido um sucesso. Ainda meio atordoada, Rina percebeu apenas que estava deitada sobre um piso de mármore frio.
Isto é o céu… ou o inferno…?
— Conseguimos realizar a invocação!!
Assim que o homem declarou aquilo, a multidão ao redor explodiu em ainda mais comemorações.
Eu… sobrevivi de novo?
Com os olhos já se acostumando à penumbra, Rina começou a olhar ao redor.
Havia várias pessoas ao seu redor.
Pelo que parecia, eram homens, todos usando mantos negros com capuz cobrindo o rosto, o que tornava difícil identificar até mesmo o sexo deles.
A luz de lanternas ou lâmpadas os iluminava vagamente, fazendo as figuras de manto negro balançarem como sombras.
Enquanto observava aquela cena confusa, um pensamento atravessou sua mente.
…Ceifadores.
— Luz.
A voz de um dos homens ecoou pela sala.
No mesmo instante, o ambiente que antes era apenas vagamente visível ficou repentinamente iluminado, como se alguém tivesse acendido lâmpadas fluorescentes.
— …!!
Com a claridade súbita, Rina estreitou os olhos.
Nesse momento, ao lado de um dos homens de manto negro, ouviu-se uma voz jovem, um pouco mais aguda.
— …O… o quê!? Essa mulher é a “Santa”!?
Agora que o lugar estava iluminado, era possível ver claramente as pessoas ao redor.
Quem havia falado era um garoto extremamente bonito, de cabelos loiros e olhos azuis.
Aquela voz aguda que ela ouvira antes era dele.
— …Parece que… sim…
Até mesmo o homem de manto negro respondeu com dificuldade, incapaz de esconder sua surpresa.
— O quê!?
O garoto fechou os punhos tremendo de raiva.
Então gritou:
— Não tem como essa gorda ser uma Santa!!!
— M-mas…!
Nem mesmo os homens de manto negro pareciam preparados para aquilo. Eles se entreolhavam, visivelmente confusos.
— Eu mandei invocar uma Santa, não um porco!!
O garoto apontou diretamente para Rina enquanto gritava.
…Hã!?
Rina ainda não entendia muito bem a situação.
Mas uma coisa ela entendeu perfeitamente:
Ele havia acabado de chamá-la de porco.
— Mas… nós temos certeza de que invocamos uma Santa…
— ONDE que isso aqui parece uma Santa!?
O garoto interrompeu o homem e apontou novamente para Rina.
— N-nós também não sabemos…
— “Não sabemos” não é resposta!!
Ele estava completamente furioso.
— Realizamos a Invocação da Santa, reunindo todo o poder do reino… e vocês querem que eu reporte que invocamos um porco!?
O garoto continuava discutindo aquilo bem na frente da própria pessoa envolvida.
Então...
— SNAP!
Algo dentro de Rina quebrou.
— CALA A BOCAAA!!!
Quando percebeu, já estava gritando.
Tá de brincadeira comigo!!
Que absurdo é esse!?
Vocês me invocam à força…
E ainda reclamam!?
Quem tem que reclamar aqui sou EU!!
— …!!
Talvez ninguém esperasse que Rina gritasse daquele jeito.
O grupo inteiro ficou completamente em silêncio.
— …Expliquem a situação.
Rina falou com firmeza.
Era o mínimo que ela merecia.
Afinal…
Até poucos minutos atrás ela estava sobre uma ponte.
Não era sonho.
Era realidade.
Mas de repente uma luz apareceu e…
Agora ela estava num lugar completamente desconhecido.
Aliás…
Que lugar é esse mesmo?
“““………………”””
Os jovens se entreolhavam sem dizer nada.
Então Rina falou novamente, com mais força:
— Expliquem a situação!!
Alguns minutos depois
Finalmente, um homem que parecia ser o líder retirou o manto com pressa e começou a explicar.
Segundo ele…
Este mundo é coberto por algo chamado “miasma” (energia maligna).
Quando essa energia atinge certo nível de concentração, monstros aparecem do nada, ou então animais comuns se transformam em monstros.
Se os monstros forem derrotados continuamente, o miasma diminui.
Mas, por alguma razão, existem períodos em que essa energia aumenta drasticamente.
Sempre que isso acontece, surge uma pessoa especial:
Uma Santa ou um Herói.
Eles purificam o miasma e exterminam os monstros.
Porém…
Nesta geração nenhum deles apareceu.
Se nada fosse feito, o país mais afetado pelo miasma...
o Império de Vartaal
seria o primeiro a cair.
Então…
O responsável por aquela decisão foi o belo garoto loiro diante dela.
O Príncipe Egieedils.
Ele decidiu que não ficaria esperando o surgimento natural da Santa.
Reuniu magos e realizou um ritual para invocá-la à força.
E foi assim que…
Rina acabou sendo invocada acidentalmente.
— …E?
Depois de ouvir tudo, Rina respondeu calmamente.
Porque, sinceramente…
Nada daquilo tinha qualquer relação com ela.
— “““Eh?”””
O príncipe e os outros ficaram olhando para ela com a boca aberta.
Eles claramente não esperavam aquela reação.
— Então? Vocês disseram que eu estou errada, não disseram?
— …
— Então me mandem de volta.
Rina sabia melhor do que ninguém que não era nenhuma Santa.
E eles também já haviam dito isso.
Logo…
O certo seria mandá-la de volta para casa.
“““………………”””
Um silêncio pesado tomou conta do lugar.
Todos desviaram o olhar dela.
— …Me mandem de volta.
Rina falou novamente.
Mas o príncipe e os outros continuaram em silêncio, evitando encará-la.
— …ME MANDEM DE VOLTA!!
Rina gritou.
Para ser honesta…
Antes disso ela até pensava em morrer.
Mas…
Ser incapaz de voltar ao Japão, onde viveu com sua família…
Aquilo ela não podia aceitar.
— …Me mandem de volta!!
Quando percebeu…
Ela estava chorando.
Desde que perdeu a família, ela acreditava que suas lágrimas já tinham secado.
Mas agora…
Elas simplesmente não paravam de cair.
E lembrando da família que havia sido tirada dela injustamente…
Acabou descontando toda aquela dor naquelas pessoas diante dela.
Me mandem de volta!!
Me deixem voltar!!
…Para aquele tempo.
Rina apenas…
continuou chorando sem parar.
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