— Irmãããããã!!
Minha irmã chorava, com o rosto completamente distorcido um rosto que normalmente era muito fofo.
As lágrimas escorriam sem parar de seus grandes olhos. Não importava quantas vezes ela enxugasse com o lenço, elas continuavam vindo. Como se não bastasse, o nariz também estava escorrendo, exibindo uma cena nada digna de uma donzela de 16 anos.
Enquanto eu acariciava as costas da minha irmã, olhei para o príncipe que estava um pouco atrás dela, completamente perdido sobre o que fazer.
Um belo rapaz de cabelos loiros e olhos azuis, exatamente como um príncipe de conto de fadas.
Ele era Cain, o segundo príncipe deste país o Reino de Gilberta.
Apesar de nosso relacionamento ainda ser recente, seu rosto sempre impecável costumava mostrar um sorriso brilhante digno de um príncipe.
Mas agora… só era possível ver cansaço e resignação.
Quando nossos olhares se encontraram, o príncipe Cain apenas balançou a cabeça silenciosamente.
Provavelmente ele já tinha tentado de tudo para acalmar minha irmã. Mas acabou não conseguindo lidar com ela… e a trouxe até mim.
Soltei um pequeno suspiro, tomando cuidado para que minha irmã que ainda chorava em meus braços não percebesse.
Eu sabia exatamente o que fazer quando essa irmã mimada ficava de mau humor.
Existia uma frase mágica que sempre funcionava com ela.
Aproximei meus lábios do ouvido dela e sussurrei:
— Se você se acalmar, eu faço pudim para o lanche de amanhã. Que tal?
— Snif… Sério!?
Viu só?
Uma criança que chora pode sorrir num instante.
Minha irmã abriu bem os olhos redondos, ainda molhados de lágrimas, e sorriu cheia de alegria.
Vendo aquilo, eu também sorri um pouco.
Ela ficou tão feliz com a ideia de comer seu pudim favorito que me abraçou com força pela cintura.
Essa reação tão exagerada dela… me trouxe um certo alívio.
Olhei então para o céu.
Até pouco tempo atrás, meu peito estava cheio de ansiedade e incerteza sobre o futuro.
Mas o sorriso feliz da minha irmã praticamente havia dissipado tudo isso.
Passei a mão pelos cabelos castanho-claros e sedosos dela.
O sol estava quase se pondo.
O céu estava tingido de vermelho pelo entardecer, incrivelmente bonito.
Uma grande lua já começava a aparecer, observando-nos silenciosamente.
◆◇◆◇◆
Meu nome é Akane Takanashi.
Tenho 24 anos.
Até pouco tempo atrás eu era apenas uma mulher comum embora talvez um pouco mais sofrida do que outras da minha idade, já que trabalhava para sustentar minha irmã oito anos mais nova.
Minha irmã Hiyori, agora no primeiro ano do ensino médio, já conseguia ajudar nas tarefas domésticas.
Sem pais, nós duas sempre fizemos o possível para seguir em frente juntas.
Nossos pais morreram em um acidente seis anos atrás.
Eu tinha 18 anos. Hiyori tinha 10.
Naquela época eu havia acabado de me formar no ensino médio e já tinha sido aceita na universidade.
Quando nossos pais morreram, ficamos completamente perdidas eu, minha irmã e nosso cachorro.
Mas tivemos sorte de nossos avós ainda estarem vivos.
Eles nos acolheram em sua casa no interior.
Eu acabei desistindo da universidade e consegui um emprego como assistente administrativa numa pequena empresa através de contatos da família.
Desde então, trabalhei duro enquanto cuidava dos meus avós idosos e da minha irmã adolescente.
A casa dos meus avós ficava em um lugar extremamente rural.
Sem carro, era praticamente impossível ir a qualquer lugar.
Nem sequer havia uma loja de conveniência.
No começo minha irmã ficou chocada com isso.
Mas logo se apegou às galinhas que criávamos no quintal e rapidamente fez amizade com as crianças travessas da vizinhança.
Ela pescava no rio próximo, caçava insetos nas montanhas e aproveitava ao máximo experiências que jamais teria na cidade.
Pelo menos naquela época, ela passava os dias correndo e brincando lá fora, sempre bronzeada pelo sol.
Quanto a mim…
Eu também acabei gostando da vida no interior.
Principalmente por causa dos meus avós.
Minha avó já começava a ter alguns lapsos de memória, mas quando fazia conservas ou pratos tradicionais sua mente parecia clarear.
Eu aprendi muitas receitas com ela.
Meu avô também era muito carinhoso conosco.
Ele plantou diversas árvores frutíferas e vegetais para nós.
Colher tudo junto com ele todo ano era muito divertido.
Talvez aquele ritmo calmo do interior realmente combinasse comigo.
Quando lembro daquela época agora, percebo que foi cheia de momentos felizes quase tão felizes quanto quando nossos pais ainda estavam vivos.
Na verdade, estávamos tão ocupadas vivendo e aprendendo coisas novas que nem tínhamos tempo de ficar presas na tristeza pela perda deles.
Meus avós provavelmente fizeram tudo aquilo justamente para nos ajudar a seguir em frente.
Dois anos atrás, meus avós faleceram um após o outro.
Mesmo assim, nosso tio que herdou a casa permitiu que continuássemos morando lá.
Com o salário baixo de um emprego administrativo, pagar aluguel seria difícil para nós duas.
Queríamos economizar ao máximo para usar o seguro de nossos pais na educação da Hiyori.
Por isso sou muito grata ao meu tio.
Assim, depois de muitas dificuldades, nossa vida finalmente começou a se estabilizar.
Eu imaginava vagamente que continuaríamos vivendo assim no interior duas irmãs e um cachorro até que uma de nós se casasse.
Mas então…
Nosso destino mudou completamente.
Foi na véspera de Natal.
Nós duas estávamos sentadas no kotatsu, quentinhas, comendo um ensopado até ficarmos satisfeitas.
Depois disso, minha irmã trouxe animada um Lenha de Natal que comprou numa famosa confeitaria.
No momento em que enfiei a faca no bolo…
O cenário diante de nós se distorceu.
Senti como se estivesse caindo no vazio.
No instante seguinte—
BOOOOOOM!
Um estrondo ensurdecedor ecoou enquanto a casa inteira tremia violentamente.
Pensando que era um terremoto, corremos para fora ainda com as roupas do corpo, carregando nosso dachshund nos braços.
Mas o que encontramos do lado de fora foi…
Cinco homens misteriosos usando mantos estranhos.
E um príncipe brilhante.
Sim.
O príncipe Cain.
O resto da situação foi um completo caos.
Nossa casa havia sido invocada inteira para outro mundo.
E, ao que parece…
Minha irmã havia sido invocada como uma Santa.
Eu?
Apenas alguém que foi arrastada junto.
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