quinta-feira, 23 de abril de 2026

O Herdeiro do Submundo que Recusou o roteiro original - Capítulo 02


Capítulo 02 - Isso não é ridiculamente fácil? 
 Seguindo um pouco atrás da bela empregada, senhorita Shiry, caminhei pelos corredores do palácio real. A ansiedade já havia atingido o limite, e eu não aguentei acabei fazendo uma pergunta.

— Com licença… eu vou ser executado ou algo assim?

Mesmo que esse fosse o caso, eu sabia que ela não responderia algo como: “Sim! Vamos decapitá-lo agora! Aproveite!”

Se dissesse isso, havia o risco de eu entrar em pânico. Ainda assim, eu precisava perguntar.

Ao ouvir minha pergunta, ela parou e se virou para mim. Seus olhos se arregalaram, e ela fez uma expressão de pura surpresa.

— Isso é absolutamente impossível. Caso, por um acaso, Sua Majestade ou alguém ao redor sugira executar o senhor que foi invocado como um SR eu assumirei a responsabilidade de tirá-lo deste país. E, se me permitir, acompanharei o senhor nessa jornada.

Ela sorriu gentilmente e acrescentou:

— Não tenho a menor intenção de servir a um país tão cruel.

Depois disso, disse “vamos?” e voltou a caminhar.

A senhorita Shiry… é forte.

Não sei se foi alívio ou se suas palavras tocaram meu coração, mas senti meus olhos se encherem de lágrimas.

Talvez ela tenha desviado o olhar para não me constranger.

Como se confirmasse isso, ela ficou olhando para frente, sem dar um passo sequer.

— …Sim. Vamos.

Ainda de costas para mim, ela assentiu e voltou a andar.




O cômodo para o qual fui guiado não era o salão de audiências onde apareci ao chegar a este mundo, mas uma sala menor.

Digo “menor”, mas ainda assim tinha o dobro do tamanho de uma loja de conveniência.

Dentro estavam o rei de Lindale Zeno, o chanceler Dino e dois homens que pareciam guardas reais.

O rei estava sentado em um sofá luxuoso e espaçoso, enquanto Dino permanecia ao seu lado.

Observando-os de perto, percebi que tinham uma presença diferente da que eu via no jogo.

O rei parecia ter cerca de cinquenta anos. Apesar da aparência gentil, emanava uma pressão uma aura que deixava claro por que ele estava no topo do reino.

Já o chanceler parecia um pouco mais jovem. Suas roupas eram mais simples, dando-lhe um ar acessível.

Assim que entrei, o rei se levantou e falou comigo:

— …Posso chamá-lo de SR-dono?

Pegado de surpresa, imitei o que já vi em mangás e animes: ajoelhei-me sobre um joelho e baixei a cabeça.

— Sim — respondi, sem saber se aquilo estava correto.

— Erga a cabeça. Esta é uma reunião informal, não há necessidade de formalidades.

Segui sua orientação, levantei o rosto e me pus de pé.

Ainda bem… pelo menos não parece que vou ser executado por desrespeito.

O rei assentiu ao ver minha reação e voltou a se sentar.

— Primeiro, preciso confirmar: é verdade que você não é um herói? Disseram-me que está no nível 1… e sem classe definida.

— Sim… sinto muito por não corresponder às expectativas.

Ao ouvir isso, ele respondeu em tom abatido:

— Entendo…

Seu rosto refletia exatamente aquele desânimo. Talvez houvesse uma razão urgente para precisar de um herói.

— Não há necessidade de se desculpar. Quem deve pedir perdão somos nós. Trouxemos você à força de outro mundo, mesmo sem saber que não era o herói. Lamentamos profundamente.

— E-espera! Por favor, levante a cabeça!

Mesmo assim, ele continuou inclinado.

Olhei ao redor em busca de ajuda e todos na sala estavam curvados também.

Sério isso…?

Pelo menos não parece que vou ser executado ou exilado… mas isso também é complicado.


Depois disso, com Dino participando da conversa, explicaram toda a situação.

Eu também contei como fui invocado.

Mas, como eles não tinham sequer videogames, muito menos VR, acabamos simplificando para: “fui subitamente transportado para outro mundo enquanto me divertia”.

O que, ironicamente, não está errado.

Preferi não mencionar que este era o mundo do jogo.

Para eles, seria impossível aceitar que são personagens criados além de não haver garantia de que tudo seja exatamente igual ao jogo.

Eles usaram algo chamado “joia da invocação”, encontrada em ruínas antigas junto a uma placa explicando seu uso.

Infelizmente, não havia nenhum artefato para retorno.

Ainda assim, prometeram procurar em outras ruínas pelo país.

(Segredo: eu não tenho a menor vontade de voltar.)

A existência da joia foi mantida em segredo, mas o castelo estava em festa afinal, acreditavam que haviam invocado um herói.

E isso porque o reino enfrenta um grande problema.

— A primeira princesa está… doente?

— …Sim. Segundo os médicos, ela tem cerca de um mês de vida.

Doença… isso não existia no jogo.

Talvez o herói tivesse algum poder de cura.

Infelizmente, eu não tenho nada disso.

— SR-dono, pedimos que mantenha isso em segredo — disse Dino. — Contamos a você por honestidade.

— Claro… mas não há outra forma de salvá-la além de invocar um herói?

Dino levou a mão ao queixo.

— Mais do que um herói… precisamos de alguém muito forte. Para salvá-la, é necessário o lendário remédio: o Elixir.

— O quê!? Elixir!?

Era aquele Elixir!?

— Pelo visto, existe em seu mundo também?

— N-não… eu só conhecia por informação…

No jogo, eu tinha mais de mil deles no inventário…

— É difícil de conseguir?

Perguntei.

Porque, no jogo, era absurdamente fácil.

Drop garantido de chefe de dungeon rank B.

Sem chance, sem dificuldade absurda.

O rei respondeu com voz pesada:

— Há um registro de 300 anos atrás, dizendo que um chefe de dungeon deixou cair um. Se isso for verdade… é praticamente impossível.

Drop de chefe… igual ao jogo.

Mas… será que aqui vem de dungeon rank SS?

Se for, faz sentido.

O rei bateu o punho no braço do sofá.

— Maldição! Concluir uma dungeon rank B… é impossível!


…Hã?

Ele disse rank B?

Isso… não é ridiculamente fácil?


☆ ☆ ☆ ☆ ☆

Como pedido de desculpas pela invocação, recebi 100 mil or cerca de 1 milhão de ienes.

Nada mal!

Também disseram que posso pedir ajuda financeira ao castelo quando quiser, e até me ofereceram um quarto lá.

Recusei educadamente.

Também me deram uma adaga com o brasão real — para usar caso algum nobre tente me prejudicar.

E então, o rei me fez um pedido.



— Prazer em conhecê-la, princesa.

Ajoelhei-me diante dela.

Ela estava deitada, mas se sentou com ajuda de uma empregada.

Seus cabelos brancos como seda escorriam suavemente. Devia ter uns 15 anos.

— Levante a cabeça. Posso chamá-lo de herói?

Ela inclinou a cabeça e sorriu.

Linda. Como uma boneca.

— Sim… sou SR. Um herói vindo de outro mundo para salvá-la.

Que vergonha!

“Sou herói” — quem eu penso que sou!?

Sou só um NEET!

Mas esse era o pedido: fingir ser um herói para tranquilizá-la.

Ela sorriu… mas de forma vaga.

— Sou Fenon. Sei que pediram isso a você… mas não se esforce demais. Fico preocupada.

Mesmo doente… ela se preocupa comigo.

— N-não! Eu sou um herói! Concluir uma dungeon rank B é moleza!

Bati no peito.

Mas… na verdade, não é tão simples.

Com tempo, sim.

Mas temos apenas um mês.

Por que ninguém conseguiu até agora?

Mistério.

— Eu vou salvar você.

Mesmo não sendo herói.

Mesmo não sendo o escolhido.

Mesmo sendo nível 1.

— Eu prometo.

Porque, em um mundo muito parecido com este…

eu já fui alguém que alcançou o topo.

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