terça-feira, 9 de junho de 2026

Allen, o Mercador Reencarnado - Capítulo 05


Capítulo 05 
 O grupo liderado por Kurohime havia passado pela cidade de Elacton a caminho da capital real.

Eram cerca de trinta aventureiras, e, pelo que ouvi, seguiam para o norte, rumo à grande cidade de Parfis, onde pretendiam realocar sua base de operações.

Não estava claro por quanto tempo permaneceriam ali, mas, considerando a necessidade de descanso e reabastecimento de suprimentos, provavelmente deixariam a cidade dentro de alguns dias. Com isso em mente, fui até o pequeno restaurante que elas vinham frequentando recentemente.

“Fechado para evento privado”

Um aviso com essas palavras estava afixado na entrada do elegante restaurante no distrito comercial de Elacton, e a fachada aberta havia sido coberta por cortinas, tornando impossível ver o interior.

— Bem, isso é problemático.

Eu já tinha visto o grupo de Kurohime em uma taverna pública antes, então pensei que não seria difícil fazer contato. No entanto, ao que tudo indica, elas haviam se acostumado com Elacton e agora estavam alugando o restaurante inteiro para minimizar o contato com pessoas de fora.

Embora entrar no local sem permissão não me matasse, o risco era alto demais e certamente me renderia a hostilidade dos moradores locais. Por isso, hesitei do lado de fora, sem saber o que fazer.

— Devo esperar até que elas saiam do restaurante? Não… se ficar tarde demais, elas vão ficar em alerta…

— Parado aí na frente do restaurante… qual é o problema?

Enquanto eu refletia sobre como abordar Kurohime, ouvi uma voz vindo de trás.

— Com licença, tenho um assunto com alguém lá dentro, mas parece que o local está reservado…

— Um assunto? Você está ligado aos membros?

Ao me virar, vi outra jovem de beleza distinta da de Kurohime. Seu cabelo era vermelho como fogo, e seus olhos tinham um tom vermelho intenso e vibrante.

Diferente de Kurohime, que transmitia a aura de uma jovem nobre refinada, essa garota exalava uma presença atlética e direta.

Ela inclinou levemente a cabeça ao ouvir minhas palavras.

— Não, não tenho hora marcada… não conheço pessoalmente ninguém lá dentro, mas consegui um item que acredito que vai interessar muito à Kurohime-san. Se possível, eu gostaria de mostrá-lo a ela.

— Um item? Você é comerciante?

— Não exatamente… algo nessa linha.

A garota de cabelos vermelhos me encarou com forte desconfiança, o que era compreensível. O grupo delas, formado apenas por mulheres aventureiras, era bem conhecido na região. Com suas grandes capacidades e o interesse crescente de moradores da cidade, não era surpresa que muitos, incluindo comerciantes e nobres, tentassem criar laços com elas.

De fato, a garota à minha frente parecia pensar: “Mais um desses…”

— Desculpe, mas não atendemos esse tipo de solicitação. É uma política rígida.

— Entendo. No entanto, acredito que este item certamente chamará a atenção dela. Por favor, entregue este pacote à Kurohime-sama. Se ela não se interessar, pode descartá-lo.

Percebendo que encontrá-la pessoalmente seria improvável, entreguei o pacote contendo o primeiro volume de Yume Koi e uma revista de moda feminina, e deixei o restaurante. Havia incluído uma carta, convidando Kurohime para se encontrar em uma estalagem específica caso se interessasse.




— Quem era aquele cara?

Eu estava preparando os suprimentos necessários para nossa viagem à capital real quando percebi que o horário da reunião marcada se aproximava. Apressei-me até o restaurante e, ao chegar, encontrei a rua já escurecida, com os moradores indo para seus respectivos locais de lazer. Em frente ao nosso destino, avistei um homem suspeito.

Ele era alto e bem constituído, mas não parecia um aventureiro nem um guarda.

Ele segurava um pacote embrulhado em papel marrom e parecia confuso enquanto encarava a placa na porta.

— Um entregador?

Pensei que pudesse ser alguém entregando uma compra feita por algum membro do nosso grupo. Caso contrário, por que estaria parado em frente a um restaurante reservado?

— Parado aí na frente do restaurante… qual é o problema?

Assim, me aproximei, imaginando que pudesse haver algum mal-entendido.

— Com licença, tenho um assunto com alguém lá dentro, mas parece que o local está reservado…

O homem acabou sendo mais um daqueles tipos que temos encontrado com frequência ultimamente.

Com várias masmorras conquistadas, muitos aventureiros, comerciantes e nobres vinham tentando estabelecer relações conosco. Como regra, recusávamos todas essas abordagens.

No entanto, o homem insistiu que tinha algo que certamente interessaria a Kurohime e, quase me forçando, entregou um pacote.

Ele pediu que eu o entregasse a Kurohime, dizendo que ela poderia descartá-lo se não tivesse interesse.

O sino da porta tilintou quando abri a entrada do restaurante.

— Ah, finalmente chegou, Aina.

Uma mulher de pele escura, Lumiere, me cumprimentou acenando. Lumiere estava de prontidão na entrada, vestindo armadura e armada, preparada para qualquer eventualidade. Embora já tivesse comido alguns lanches, ainda não havia tocado em álcool.

— O que é esse pacote?

— Isso? Fui praticamente forçada a aceitar de um sujeito suspeito lá fora… está endereçado à capitã.

Mostrei o pacote a Lumiere, que franziu levemente a testa diante da descrição, mas o cheirou com cautela. Em seguida, julgou que não havia nada perigoso.

— Não é venenoso. Você provavelmente deveria entregá-lo à capitã.

— Certo, vou fazer isso.

Lumiere tinha um olfato incrivelmente apurado, ainda mais sensível do que o de monstros do tipo lobo, conhecidos por suas habilidades olfativas. Ela conseguia identificar a natureza dos objetos apenas pelo cheiro.

Por isso, era encarregada da guarda durante as refeições e de funções de reconhecimento durante expedições.

Com sua confirmação, levei o pacote até nossa líder, Shizuku, que estava no centro do restaurante.

— O que é isso?

— É para você.

Cumprimentei as demais membros que já estavam comendo e entreguei o pacote a Shizuku.

— Posso abrir?

— Claro. Se estiver interessada, o cara disse para responder.

Nossa líder, Shizuku, era conhecida como uma escolhida, uma “Miko”. Tinha cabelos negros marcantes, raríssimos neste país, e uma aparência delicada que escondia sua força extraordinária, capaz de matar um urso Guinevere em combate corpo a corpo.

No entanto, apesar de sua expressão fria, era uma garota de coração gentil.

Embora falasse pouco e fosse temida por estranhos devido à sua postura, era sensível a tendências e ela mesma desenhava nossos uniformes estilosos.

Também gostava de leitura e música como uma nobre, mas, à medida que o grupo “Brigada da Aurora” crescia, ela tinha cada vez menos tempo para seus hobbies.

Ou melhor, provavelmente já estava cansada deles.

Sem qualquer expectativa, Shizuku abriu o embrulho fino do pacote e olhou seu conteúdo.

— O que é isso?

Dentro da embalagem desnecessariamente bem-feita havia um livro com uma mulher elegantemente vestida na capa e um texto de aparência estrangeira.

— Capitã?

Era certamente um item incomum, mas eu me perguntei se aquilo realmente chamaria o interesse da capitã.

No entanto, Shizuku, segurando o estranho livro, olhou para mim com uma expressão que eu nunca tinha visto antes.

— Aina, me diga quem te entregou esse pacote!

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