Capítulo 05
O grupo liderado por Kurohime havia passado pela cidade de Elacton a caminho da capital real.
Eram cerca de trinta aventureiras, e, pelo que ouvi, seguiam para o norte, rumo à grande cidade de Parfis, onde pretendiam realocar sua base de operações.
Não estava claro por quanto tempo permaneceriam ali, mas, considerando a necessidade de descanso e reabastecimento de suprimentos, provavelmente deixariam a cidade dentro de alguns dias. Com isso em mente, fui até o pequeno restaurante que elas vinham frequentando recentemente.
“Fechado para evento privado”
Um aviso com essas palavras estava afixado na entrada do elegante restaurante no distrito comercial de Elacton, e a fachada aberta havia sido coberta por cortinas, tornando impossível ver o interior.
— Bem, isso é problemático.
Eu já tinha visto o grupo de Kurohime em uma taverna pública antes, então pensei que não seria difícil fazer contato. No entanto, ao que tudo indica, elas haviam se acostumado com Elacton e agora estavam alugando o restaurante inteiro para minimizar o contato com pessoas de fora.
Embora entrar no local sem permissão não me matasse, o risco era alto demais e certamente me renderia a hostilidade dos moradores locais. Por isso, hesitei do lado de fora, sem saber o que fazer.
— Devo esperar até que elas saiam do restaurante? Não… se ficar tarde demais, elas vão ficar em alerta…
— Parado aí na frente do restaurante… qual é o problema?
Enquanto eu refletia sobre como abordar Kurohime, ouvi uma voz vindo de trás.
— Com licença, tenho um assunto com alguém lá dentro, mas parece que o local está reservado…
— Um assunto? Você está ligado aos membros?
Ao me virar, vi outra jovem de beleza distinta da de Kurohime. Seu cabelo era vermelho como fogo, e seus olhos tinham um tom vermelho intenso e vibrante.
Diferente de Kurohime, que transmitia a aura de uma jovem nobre refinada, essa garota exalava uma presença atlética e direta.
Ela inclinou levemente a cabeça ao ouvir minhas palavras.
— Não, não tenho hora marcada… não conheço pessoalmente ninguém lá dentro, mas consegui um item que acredito que vai interessar muito à Kurohime-san. Se possível, eu gostaria de mostrá-lo a ela.
— Um item? Você é comerciante?
— Não exatamente… algo nessa linha.
A garota de cabelos vermelhos me encarou com forte desconfiança, o que era compreensível. O grupo delas, formado apenas por mulheres aventureiras, era bem conhecido na região. Com suas grandes capacidades e o interesse crescente de moradores da cidade, não era surpresa que muitos, incluindo comerciantes e nobres, tentassem criar laços com elas.
De fato, a garota à minha frente parecia pensar: “Mais um desses…”
— Desculpe, mas não atendemos esse tipo de solicitação. É uma política rígida.
— Entendo. No entanto, acredito que este item certamente chamará a atenção dela. Por favor, entregue este pacote à Kurohime-sama. Se ela não se interessar, pode descartá-lo.
Percebendo que encontrá-la pessoalmente seria improvável, entreguei o pacote contendo o primeiro volume de Yume Koi e uma revista de moda feminina, e deixei o restaurante. Havia incluído uma carta, convidando Kurohime para se encontrar em uma estalagem específica caso se interessasse.
— Quem era aquele cara?
Eu estava preparando os suprimentos necessários para nossa viagem à capital real quando percebi que o horário da reunião marcada se aproximava. Apressei-me até o restaurante e, ao chegar, encontrei a rua já escurecida, com os moradores indo para seus respectivos locais de lazer. Em frente ao nosso destino, avistei um homem suspeito.
Ele era alto e bem constituído, mas não parecia um aventureiro nem um guarda.
Ele segurava um pacote embrulhado em papel marrom e parecia confuso enquanto encarava a placa na porta.
— Um entregador?
Pensei que pudesse ser alguém entregando uma compra feita por algum membro do nosso grupo. Caso contrário, por que estaria parado em frente a um restaurante reservado?
— Parado aí na frente do restaurante… qual é o problema?
Assim, me aproximei, imaginando que pudesse haver algum mal-entendido.
— Com licença, tenho um assunto com alguém lá dentro, mas parece que o local está reservado…
O homem acabou sendo mais um daqueles tipos que temos encontrado com frequência ultimamente.
Com várias masmorras conquistadas, muitos aventureiros, comerciantes e nobres vinham tentando estabelecer relações conosco. Como regra, recusávamos todas essas abordagens.
No entanto, o homem insistiu que tinha algo que certamente interessaria a Kurohime e, quase me forçando, entregou um pacote.
Ele pediu que eu o entregasse a Kurohime, dizendo que ela poderia descartá-lo se não tivesse interesse.
O sino da porta tilintou quando abri a entrada do restaurante.
— Ah, finalmente chegou, Aina.
Uma mulher de pele escura, Lumiere, me cumprimentou acenando. Lumiere estava de prontidão na entrada, vestindo armadura e armada, preparada para qualquer eventualidade. Embora já tivesse comido alguns lanches, ainda não havia tocado em álcool.
— O que é esse pacote?
— Isso? Fui praticamente forçada a aceitar de um sujeito suspeito lá fora… está endereçado à capitã.
Mostrei o pacote a Lumiere, que franziu levemente a testa diante da descrição, mas o cheirou com cautela. Em seguida, julgou que não havia nada perigoso.
— Não é venenoso. Você provavelmente deveria entregá-lo à capitã.
— Certo, vou fazer isso.
Lumiere tinha um olfato incrivelmente apurado, ainda mais sensível do que o de monstros do tipo lobo, conhecidos por suas habilidades olfativas. Ela conseguia identificar a natureza dos objetos apenas pelo cheiro.
Por isso, era encarregada da guarda durante as refeições e de funções de reconhecimento durante expedições.
Com sua confirmação, levei o pacote até nossa líder, Shizuku, que estava no centro do restaurante.
— O que é isso?
— É para você.
Cumprimentei as demais membros que já estavam comendo e entreguei o pacote a Shizuku.
— Posso abrir?
— Claro. Se estiver interessada, o cara disse para responder.
Nossa líder, Shizuku, era conhecida como uma escolhida, uma “Miko”. Tinha cabelos negros marcantes, raríssimos neste país, e uma aparência delicada que escondia sua força extraordinária, capaz de matar um urso Guinevere em combate corpo a corpo.
No entanto, apesar de sua expressão fria, era uma garota de coração gentil.
Embora falasse pouco e fosse temida por estranhos devido à sua postura, era sensível a tendências e ela mesma desenhava nossos uniformes estilosos.
Também gostava de leitura e música como uma nobre, mas, à medida que o grupo “Brigada da Aurora” crescia, ela tinha cada vez menos tempo para seus hobbies.
Ou melhor, provavelmente já estava cansada deles.
Sem qualquer expectativa, Shizuku abriu o embrulho fino do pacote e olhou seu conteúdo.
— O que é isso?
Dentro da embalagem desnecessariamente bem-feita havia um livro com uma mulher elegantemente vestida na capa e um texto de aparência estrangeira.
— Capitã?
Era certamente um item incomum, mas eu me perguntei se aquilo realmente chamaria o interesse da capitã.
No entanto, Shizuku, segurando o estranho livro, olhou para mim com uma expressão que eu nunca tinha visto antes.
— Aina, me diga quem te entregou esse pacote!
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