Arco da Primavera Inicial
Clac! bati o ovo na borda da tigela metálica.
Ploc.
A clara translúcida escorreu lentamente, enquanto a gema, redonda e de um laranja vibrante, caiu dançando no fundo da tigela.
A gema trêmula e a clara cristalina, iluminadas pela luz fluorescente, pareciam dizer com orgulho: “Somos fresquíssimos!”. Aquilo, por algum motivo, me deixou feliz.
Continuei quebrando ovos ploc, ploc, ploc! quando percebi que ele, ao meu lado, observava minhas mãos com a boca meio aberta.
Não consegui evitar uma risada.
— Será que é a primeira vez que ele vê alguém quebrar ovos?
Quando percebeu que eu estava rindo, ele pareceu notar a expressão que fazia. Corou levemente e tentou recompor o rosto às pressas.
— Quer tentar quebrar um? — perguntei.
— N-não… Acho que só atrapalharia…
Apesar da recusa, seus olhos revelavam curiosidade. Seus dedos se mexiam inquietos, como se quisessem tentar.
— Nobres… não cozinham, é?
— Não. Normalmente temos cozinheiros exclusivos na mansão.
— Imaginei. Então essa é a sua primeira vez.
Sorrindo, empurrei a tigela com os ovos e um batedor para as mãos dele sem dar muita escolha.
— Hã? Eh?
Ele alternava o olhar entre a tigela e eu, confuso.
Dei um tapinha em seu ombro e fiz um gesto indicando para misturar.
Provavelmente eu estava com um sorriso meio malicioso.
— São ovos postos hoje cedo, então talvez demorem um pouco para misturar. Faça com cuidado, certo? O resultado final depende de você.
Ele empalideceu levemente, encarou a tigela por um momento e começou a bater com dedicação absoluta.
O clac-clac do batedor contra a tigela ecoava pela cozinha pequena, misturado ao som metálico de sua armadura.
Peguei leite da geladeira e medi a quantidade na balança de cozinha. Também preparei uma pequena tigela com fava de baunilha.
Pensei em colocar creme de leite… mas desisti.
Hoje queria fazer o mais simples possível.
Separei o açúcar: uma parte para o caramelo, outra para o pudim.
Quando olhei novamente para ele, os ovos já estavam bem misturados. Então comecei a adicionar o açúcar aos poucos.
O açúcar branco caía como neve e desaparecia dentro do amarelo dourado dos ovos.
Pedi para ele segurar a tigela inclinada enquanto misturava.
Enquanto isso, coloquei leite e baunilha em uma panelinha e liguei o fogão.
Fogo bem baixo.
Usei um termômetro para garantir que não passasse de 60 °C. Se esquentasse demais, os ovos poderiam cozinhar.
…
Foi então que percebi algo.
Eu deveria ter feito o caramelo primeiro.
Droga.
Mesmo que a mistura do pudim estivesse pronta, eu não poderia colocar nos potes sem o caramelo!
Por dentro eu estava em pânico.
Mas seria irritante se ele percebesse.
Então preparei outra panela como se nada tivesse acontecido.
Coloquei açúcar e um pouco de água e levei ao fogo médio.
— Uau… que cheiro doce e bom.
Ele parecia gostar de doces.
Seus olhos cor de mel brilhavam enquanto observava o caramelo.
— Que cor bonita…
Para alguém acostumado com olhos e cabelos pretos, como nós japoneses, aquela cor parecia uma joia.
Ah… que homem bonito.
Cozinhar ao lado dele era um privilégio.
Era como assistir a um idol de pertinho.
Enquanto comemorava mentalmente essa sorte, continuei cozinhando.
Quando o açúcar ficou da cor de caramelo, tirei do fogo e coloquei um pouco de água.
Shhhhhh!
O líquido borbulhou violentamente.
Mexi com a colher.
Pronto: calda de caramelo.
Distribuí nos potes de pudim.
— Ufa. Ainda bem que percebi.
Pudim sem caramelo não é pudim.
Bem… eu não sou confeiteira profissional.
Erros de ordem de preparo acontecem.
Agora sim, era hora de terminar.
Misturei o leite quente aos ovos aos poucos.
O amarelo se transformou em um creme suave.
Depois coei a mistura em outra tigela.
— Pode despejar aqui, por favor.
Ele engoliu em seco e, com extrema concentração, despejou o líquido pela peneira.
Quando terminou, soltou um longo suspiro.
— Será que ele estava prendendo a respiração…?
Segurei o riso.
Ele parecia um garoto em aula de culinária pela primeira vez.
Depois pedi que repetisse o processo mais duas ou três vezes.
Para um pudim liso, isso é essencial.
Quando o líquido ficou perfeitamente suave, despejei nos potes.
Coloquei no vaporizador sobre a panela fervendo e fechei a tampa.
— Pronto!
Senti uma estranha sensação de conquista.
Quando me virei, ele também estava sorrindo satisfeito.
— Agora esperamos cerca de quinze minutos.
— E então estará pronto?
— Sim. Depois é melhor resfriar na geladeira… mas para o chá da tarde estará perfeito.
Lavei os utensílios enquanto o tempo passava.
Piii piiii.
O timer tocou.
Abri o vaporizador com cuidado.
Sacudi levemente.
Perfeito.
O pudim dourado estava pronto.
Sem bolhas.
Lindo.
Cada vez que eu movia o pote, a superfície tremia suavemente.
Adoro pudim firme, mas esse tipo macio e tremelicante é meu favorito.
Ele provavelmente derreteria na boca.
Olhei o relógio.
10:30 da manhã.
Ainda dava tempo de tomar chá antes de preparar o almoço.
Coloquei água para ferver e preparei duas xícaras de chá.
Ele já estava sentado, relaxando.
Também me sentei enquanto a água esquentava.
Observei a cozinha.
Uma cozinha pequena e familiar.
Pia antiga de aço inox.
Porta de correr velha entre cozinha e sala.
Lâmpada fluorescente piscando.
Na mesa antiga, o pudim esfriava.
Diante dele, sentado e sorrindo, estava um cavaleiro guarda-costas com armadura prateada reluzente, cabelo preto e olhos dourados.
Do lado de fora da janela, soldados patrulhavam com lanças enormes, marchando e gritando:
— Um! Dois! Um! Dois!
Ao redor da casa havia cerejeiras, ameixeiras e caquizeiros.
Além do velho canil abandonado, erguia-se uma muralha branca gigantesca.
E além dela…
Um enorme castelo.
Agora tudo aquilo já era uma paisagem familiar.
…
Não aceito perguntas.
Porque eu mesma não sei responder.
Para começar, isso não é o Japão.
Repito.
Não é o Japão.
Então é um país estrangeiro?
Não.
É outro mundo.
Segundo minha irmã, fomos vítimas do famoso “transporte para outro mundo”.
Nossa casa japonesa antiga.
Minha irmã.
Eu.
E nosso cachorro.
Todos fomos transportados para outro mundo — junto com a casa.
E agora…
por algum motivo…
estamos fazendo pudim.
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