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sexta-feira, 17 de abril de 2026

O Tiozão que Voltou de Outro Mundo é Incomparável no Mundo Apocalíptico - Capítulo 01

Capítulo 01 

Ofuscado por uma luz intensa, estreitei os olhos e, quando percebi, estava de pé em um quarto familiar.

Era um dos cômodos do apartamento onde eu morava antes de ser transportado para outro mundo.

Ficava a uma certa distância da estação, mas era um achado: no quarto andar, cerca de oito tatames, layout 1K, piso de madeira, banheiro e vaso separados, e um aluguel acessível. Lembro bem de como fiquei feliz quando encontrei aquele lugar.

— Três anos depois… acho que não dá mais pra chamar isso de “familiar”, né?

Uma luz suave e acolhedora atravessava as cortinas fechadas.

Se bem me lembro, fui transportado para o outro mundo numa noite fria, pouco depois de voltar do trabalho, já entrando no clima do fim de semana.

Olhei para o relógio com calendário sobre a cabeceira da cama.

Marcava 20/04 (segunda-feira), 15:00.

— …Hã?

Pensando bem, parecia muito mais quente do que no dia em que fui transportado.

Eu tinha certeza de que aquilo aconteceu no final de março.

— Já passou quase um mês…?

E eu achando que não tinha passado tanto tempo assim.

Claro, três anos e um mês são coisas bem diferentes… mas faltar ao trabalho por um mês inteiro sem dar notícias? Nem quero imaginar as consequências.

Apressei-me em pegar o celular jogado na cama.

— …Claro.

Sem bateria.

Depois de um mês largado, era o mínimo.

Conectei o celular ao carregador e, percebendo que já não adiantava entrar em pânico, decidi me trocar primeiro.

Eu ainda estava vestido com a armadura que usava no outro mundo. Se saísse assim, antes mesmo de me preocupar com emprego, acabaria lidando com a polícia.

Depois de tirar o equipamento e vestir roupas confortáveis, notei o anel no meu polegar e tive uma ideia.

— A caixa de itens… será que ainda funciona…?

Concentrei magia no anel, como fazia naquele mundo.

Era um item mágico criado por Loberia para mim, já que eu não conseguia manipular magia diretamente no espaço.

Vuun…

Um pequeno rasgo dimensional se abriu ao lado do anel.

— …Não acredito que funcionou.

Enfiei a mão e comecei a testar, colocando e retirando objetos.

Funcionava perfeitamente.

Por limitações do anel e da minha quantidade de magia, não era tão espaçoso quanto o dos meus companheiros… mas, ainda assim, isso não era praticamente um cheat nesse mundo?

…Embora, fora usos questionáveis, talvez fosse só uma conveniência útil.

Em seguida, peguei uma lata de café vazia que estava sobre a mesa.

Queria testar minha força física.

Segurei a parte superior da lata com o polegar e o indicador, com a mão levemente trêmula, e apliquei força.

Crack.

A lata se amassou facilmente, como se tivesse sido esmagada por uma prensa.

— Acho melhor testar tudo isso depois com calma…

Se minhas habilidades daquele mundo continuassem as mesmas, eu poderia facilmente me tornar o melhor do mundo em quase qualquer esporte especialmente aqueles que não usam equipamentos, como atletismo ou artes marciais.

Claro, teria que me segurar bastante… e, para ser sincero, não tenho a menor vontade de levar uma vida tão chamativa.

Tenho alguma economia guardada, mas, considerando que provavelmente fui demitido depois de um mês desaparecido, isso ao menos serve como um plano de emergência.

Devia ter trazido comigo aquele painel de status que mostrava as habilidades de quem tocasse nele…

Deixando isso para depois, fui até a cozinha, sentindo a fome apertar.

A primeira coisa que vi foi uma poça d’água no chão, embaixo da geladeira.

— Ah, fala sério…

Duvido que cortariam a energia só por atrasar um mês de conta… será que houve um apagão?

Peguei papel toalha, limpei a água e abri a geladeira.

Sem ar frio. Sem luz.

— Então a energia ainda está cortada…

— Melhor sair pra comprar alguma coisa.

Felizmente, havia uma loja de conveniência bem perto um dos motivos de eu ter escolhido aquele apartamento.

Conectei o celular a uma bateria portátil, peguei carteira e chave e fui até a porta.

O disjuntor não parecia desligado.

Será que teve algum terremoto?

Lembrando vagamente de algo assim nas notícias antes de ser transportado, abri a porta e saí.

E então—

Percebi alguém parado no corredor, no lado que antes estava escondido pela porta.

Era perto da porta de um apartamento duas unidades adiante. A pessoa estava de costas para mim, balançando o corpo de um lado para o outro.

Pelos cabelos castanhos curtos e o porte físico, parecia um homem. Usava um casaco de inverno pesado completamente fora de estação e suas roupas estavam visivelmente sujas em vários pontos.

BAM.

A porta atrás de mim se fechou com um som alto.

Ao prestar mais atenção ao redor, percebi que não era só a roupa daquele homem o próprio corredor também estava sujo.

Não era um prédio exatamente limpo… mas com certeza nunca tinha estado naquele estado.

E essas manchas vermelhas e marrons…

Sangue?

Talvez tenha ouvido o barulho da porta, porque o homem começou a se virar lentamente, com passos instáveis.

Seu rosto estava pálido. Pela abertura do casaco, dava para ver o abdômen a camisa rasgada, ensanguentada.

Seu pescoço estava dilacerado, pendendo de forma anormal.

— …Tá de sacanagem.

Seus olhos turvos, sem vida, se voltaram para mim.

E tudo que consegui fazer… foi murmurar aquilo em voz baixa.

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