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sexta-feira, 17 de abril de 2026

A garota que encontrei no beco era a heroína de um otome game depois do final ruim - Prólogo


Prólogo

 Existe um jogo otome chamado “Magia dos Laços e o Baile Sagrado”, conhecido como “Kizuyorū”.

Trata-se de um jogo com elementos de RPG cuja história, à primeira vista, segue o padrão clássico: Fine Stout, uma plebeia que, apesar de sua origem, possui a rara habilidade de usar uma magia especial, é admitida por exceção na Academia Real de Magia uma instituição normalmente restrita à realeza e à nobreza.

Lá, ela interage com quatro interesses românticos, explora masmorras para subir de nível e, ao final, desperta como a “Santa da Luz”. Com esse poder, derrota o Rei Demônio libertado de seu selo, salva o mundo e acaba ao lado de um dos quatro pretendentes.

Um enredo aparentemente comum.

No entanto, há um elemento que diferencia essa obra de todos os outros jogos otome.

O chamado “caminho do bad ending”.

Esse caminho é ativado quando nenhum dos interesses românticos atinge um nível mínimo de afinidade, e também quando a relação com personagens secundários permanece baixa até o segundo ano. Nesse cenário, a história toma um rumo completamente diferente.

A magia sagrada exclusiva de Fine passa a ser tratada como uma “magia sombria repugnante”. Os personagens principais passam a desprezá-la, insultando-a abertamente como “vilã” e submetendo-a a um bullying cruel e persistente.

Por fim, Fine é convocada pelo príncipe Alberich, um dos interesses românticos. Lá, ela recebe um ultimato: ou abandona a academia, ou o orfanato onde cresceu será destruído. Forçada por uma escolha obrigatória, ela não tem alternativa senão aceitar.

Nos créditos finais, vemos uma ilustração dela antes tão alegre, pura e inocente agora com o olhar completamente vazio, deixando a academia por vontade própria e desaparecendo sozinha na cidade noturna.

Um cenário depressivo, sem qualquer alívio.

Enquanto as rotas normais e as dos pretendentes seguem o padrão típico para o bem ou para o mal, apenas esse bad ending apresenta um nível de detalhamento surpreendente. Após o lançamento, surgiram rumores em fóruns de que “talvez os desenvolvedores quisessem, na verdade, fazer um jogo depressivo”.

Além disso, esse final é tão difícil de alcançar exigindo que o jogador evite cuidadosamente aumentar a afinidade com todos os personagens que acabou sendo considerado mais difícil do que o final de harém reverso, ganhando até o apelido de “verdadeiro final”.

Assim, Kizuyoru deixou de ser visto apenas como um jogo otome e passou a chamar atenção como um jogo trágico. Pessoas curiosas compravam o jogo apenas para ver a doce e inocente Fine sendo lentamente destruída.

O resultado foi um sucesso comercial…
mas também gerou uma das discussões mais controversas da história dos jogos.

…E então, por que estou falando disso agora?

A resposta está na garota agachada no canto do meu campo de visão.

Sob a chuva, vestindo roupas sujas como trapos, com o capuz cobrindo profundamente o rosto…
uma garota com exatamente a mesma aparência de Fine.

Mas com os olhos… completamente sem luz.

Eu um simples figurante cujo nome sequer aparece no jogo naquele dia acabei encontrando a heroína após o bad ending:

Fine Stout.




◇◇◇




Eu, Ash Leben, possuo algo como memórias de uma vida passada.

Dito isso, o que lembro é apenas de ter sido incentivado pela minha irmã a jogar Kizuyoru, além de alguns conhecimentos sobre o jogo.

Neste mundo, há muitas pessoas com os mesmos nomes dos personagens do jogo. A história do país coincide perfeitamente com o que era ensinado na narrativa original. E, acima de tudo, monstros, magias e itens mágicos são idênticos em aparência e nome.

Não demorou para perceber: este lugar era o mundo de Kizuyoru ou algo extremamente parecido com ele.

Porém, não existe nenhum personagem importante chamado Ash Leben. E, sendo o segundo filho de uma família de nobres de baixa classe praticamente no fundo da hierarquia, os protagonistas da história original estavam em um nível completamente inalcançável para mim.

Assim, após ser obrigado a ingressar na Academia Real de Magia como dever de qualquer filho da nobreza, decidi ignorar completamente o enredo principal. Em vez disso, foquei em subir de nível e coletar itens, me preparando para o dia em que, após me formar, seria expulso de casa e passaria a viver como plebeu.

Além do mais, em Kizuyoru a menos que você faça algo absurdamente idiota, sempre acaba em uma rota normal ou na rota de algum pretendente, resultando, no fim, na salvação do mundo e em um final feliz.

Ou seja, temer o bad ending era pura paranoia.

Pensando assim, eu havia saído para fazer compras na cidade e estava voltando para o dormitório da academia quando…

(Ei, espera… o quê!? Por que a Fine do bad ending está aqui!?)

Segurando o impulso de falar em voz alta, observei atentamente.

O que parecia ser um monte de trapos era, na verdade, o uniforme rasgado da Academia Real de Magia. Seu corpo estava coberto de hematomas.

Tudo indicava que ela havia sido expulsa da escola de forma extremamente violenta.

(…Não dá pra simplesmente ignorar isso e ir embora.)

Reunindo coragem, falei com ela:

— Ei. Se você ficar aqui, vai acabar pegando um resfriado.

— Obrigada pela preocupação… mas não precisa. Eu vou morrer aqui mesmo.

Sua voz era completamente monótona como se toda emoção tivesse desaparecido.

E, sem hesitar, ela declarou que morreria ali.

Como se não tivesse mais nenhum apego à vida.

(Não… não é isso. Ela está tentando abandonar qualquer apego antes de morrer.)

Negada, desprezada, insultada, odiada… e, por fim, privada de qualquer lugar ao qual pertencer.

Não parecia algo que tivesse acontecido apenas uma vez.

Mas Fine, como Santa da Luz e devota fervorosa da Igreja, não podia escolher tirar a própria vida.

Então, decidiu apenas se entregar ao fluxo de sua desgraça.

Ser violentada e morrer…
Morrer de fome…
Sucumbir a uma doença…

Todos destinos comuns para uma jovem plebeia bonita.

— Isso aqui…?

— Só um paliativo. Com esse capuz, a chuva deve estar machucando, não é? Enfim, até mais.

Coloquei sobre ela o casaco do meu uniforme… e saí correndo em direção ao dormitório.

Eu não passava de um figurante. Um nobre de baixa classe, praticamente um plebeu alguém que, após se formar, inevitavelmente perderia tudo.

Não havia como eu salvar alguém que foi descartada por um príncipe.

Mesmo assim…

Eu não queria que ela morresse acreditando que este mundo só tinha coisas ruins.

Foi por isso que fiz aquilo.

— …Que idiotice, hein…

Sentindo o desconforto das roupas encharcadas colando na pele, afastei esses pensamentos e foquei apenas em chegar o mais rápido possível ao dormitório.



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