segunda-feira, 13 de abril de 2026

O Tiozão que Voltou de Outro Mundo é Incomparável no Mundo Apocalíptico - Prólogo

Prólogo 

"Você realmente precisa ir?"

Diante de mim, havia um portal de luz suave e cintilante.

"Sr. Azami, ao menos volte comigo ao reino, nem que seja só para..."

Com longos cabelos dourados que chegavam até a cintura e olhos da mesma cor que tremeluziam levemente, a santa meio-elfa Iris levou uma mão ao peito e me disse com a voz trêmula.

Este lugar é a Colina Toral, na Cidade Santa de Anthem.

Ao lado, a garota de cabelos ruivos mal aparados a heroína Rindo permanecia em silêncio, cerrando os punhos como quem quer dizer algo. E mais adiante, a grande sábia dark elf Robélia, que enrolava os longos cabelos prateados nos dedos enquanto me lançava olhares de soslaio.

Eu, Yanagi Azami, fui invocado para este mundo como herói há três anos. Depois de uma longa jornada, nós, o grupo dos heróis, derrotamos o Rei Demônio.

Se eliminássemos o Rei Demônio deste mundo, o portal de retorno ao mundo original se abriria novamente.

Não sei qual é o mecanismo exato, mas essa era a condição. E agora eu estava prestes a voltar para o mundo onde nasci.

"Fazer cerimônia com reis e nobres é um saco. Vou voltar logo assim mesmo."

"Mas..."

Respondi de forma ríspida às palavras de Iris.

"Eu nunca fui morador deste mundo. Lá do outro lado também vão ficar felizes por ter um a menos para agradar com recompensas."

Além disso... desde que cheguei aqui, vi maldade humana demais.

Mesmo com o objetivo comum de derrotar o Rei Demônio, houve todo tipo de interferência da própria raça humana durante a viagem. Tive uma montanha de confusões terríveis.

"Olha, Iris. Rindo, Robélia também. Já vou logo dizendo: eu gosto de vocês. Mas, sinceramente, já estou de saco cheio deste mundo."

"Sr. Azami..."

Rindo deu um passo à frente e me olhou com os olhos marejados.

"Derrotamos o Rei Demônio, sim. Quando voltarmos ao reino, provavelmente vão fazer um banquete enorme. A paz deve durar um tempo. Mas eu não acho que as coisas vão terminar felizes para sempre assim. O que vocês acham que vai acontecer depois?"

"Coisas como reconstruir as regiões devastadas..."

"Guerra."

Cortando a resposta ingênua de Iris, Robélia passou a mão pelos longos cabelos prateados que caíam sobre o rosto.

"O Rei Demônio foi derrotado. Agora vão começar as disputas entre os próprios humanos."

Diante daquela resposta, esbocei um sorriso confiante.

"Se a grande sábia Robélia diz isso, então não é só uma viagem da minha cabeça."

"Que história é essa de 'grande sábia'?"

Robélia bufou e cruzou os braços.

"Se a guerra começar, vão querer muito contar com a nossa força. A mesma força que usamos para aniquilar demônios terá que ser usada para abater nossos semelhantes."

"Eu não vou ajudar numa coisa dessas!"

"Eu também não!"

"Rindo, Iris. Mesmo que vocês pensem assim, as coisas não são tão simples. E se vocês se recusarem?"

"O herói não empresta sua força para a guerra do reino. Mas, do ponto de vista do reino, não há garantia de que ele não vá emprestar sua força para o império ou outros países."

Robélia respondeu com frieza às objeções das duas.

"Exato. Para o reino, e também para os outros países, nós nos tornamos elementos importantes demais para serem deixados de lado."


"..."


"Bom, pode ser que isso tudo não passe de uma paranóia ruim. Quem sabe a realidade não seja simplesmente um final feliz? Mas tomem muito cuidado. Robélia, cuide das duas."

Vendo as duas finalmente se calarem, sorri com um pouco de amargura e deixei os assuntos com Robélia, a mais sensata das três.

"Pelo jeito, então eu sou a única que não precisa de cuidados?"

"Nada disso. Para mim, vocês são todas como crianças."

Troquei essa brincadeira e olhei para o portal.

Passei três anos aqui, mas como o fluxo do tempo é diferente, pelo jeito quando eu voltar não vai ter passado quase nada lá.

"Sr. Azami... nas técnicas de espada, no fim das contas nunca consegui vencer o senhor. Sem o senhor, acho que jamais teríamos derrotado o Rei Demônio."

"Se eu, que só sei usar espada, perdesse justo nisso, não teria desculpa. Me poupe. Quem sabe a gente não desse um jeito de derrotar o Rei Demônio de qualquer forma."

"Isso não... e outra, foi sempre o senhor que compensou minhas inexperiências. Muito obrigada."

"Não é que ser ingênua seja necessariamente ruim. Só não descuide quando a vida estiver em jogo."

"Sim!"

Rindo.

A heroína humana, herdeira do sangue de heróis, que recebeu uma educação de elite no reino.

"Então é realmente um adeus."

"Se estivermos vivos, pode ser que nos encontremos de novo algum dia. Se morrermos, quem sabe no outro mundo."

"Ah... mas é verdade. Se nos encontrarmos de novo, eu também ficarei feliz. Na verdade, eu queria que o senhor ficasse aqui, mas..."

"Para com isso, vai ficar mais difícil de ir embora. Iris é sempre tão gentil com um tiozão desses."

"Ora, tiozão!"

"Gentileza é bom. Continue assim. Só não caia nas graças de homens maus."

"Eu não caio! Porque... uh, uh."

Iris.

A santa meio-elfa que carrega consigo um poderoso poder de cura desde o nascimento e serve como líder da maior ordem religiosa do reino.

"Você deve se virar bem, mas se cuida lá também."

"Robélia, fique bem. Você me ajudou muito."

"Foi recíproco. Mas, olha, eu já desconfiava, então você também me tratava como criança. Sabe quantas vezes eu sou mais velha que você?"

"Significa que eu me importo com você."

"Seu idiota... olha, se é assim... ah, deixa pra lá."

Robélia.

A grande sábia dark elf que vivia sozinha no coração da grande floresta, estudando magia.

Todas elas eram companheiras importantes.

Mas, mesmo pensando assim, será que voltar para o meu mundo desse jeito não era egoísta demais?

"...Rindo."

Como se quisesse esmagar aquela sensação de culpa, tirei a katana que pendia na cintura e joguei para Rindo.

"Sr. Azami? Isto é..."

"Nunca se sabe quando você vai precisar. Aceite como lembrança de despedida. É que o mundo para onde eu vou é tão pacífico que não precisa de uma coisa dessas."

"...Muito obrigada. Vou guardar com cuidado."

Se eu levasse isso para o Japão e por acaso a polícia visse, ia dar uma merda danada, não ia?

Rindo segurava a katana como se estivesse reprimindo a própria emoção. Ao seu lado, Iris me olhava com expectativa.

"A Iris também quer alguma coisa. Já que é assim, me dá um presente também. Ah, quero alguma coisa que você trouxe do outro mundo."

"Pedir assim do nada é difícil..."

Com as palavras de Robélia, que havia percebido a intenção de Iris, acabei dando a Iris um relógio barato e a Robélia uma gravata com um prendedor.

"Essas porcarias servem?"

"Sim! Estou muito feliz! Vou guardar para o resto da vida!"

"Sim, está de bom tamanho."

"Então está bem... Bom, acho que é hora de ir."

Dei um passo em direção ao portal.

Atravessando isso aqui, seria adeus a este mundo e a essas três.

"Sr. Azami..."

"Fuff... ugh..."

"Se nos encontrarmos de novo, nos encontraremos de novo."

Cada uma à sua maneira. Sem me virar, ergui levemente a mão para responder.

"Fiquem bem, todas vocês."

Porque se olhasse para os rostos delas, ia ficar com pena de ir embora.

Segui em frente e fui envolto pela luz suave.


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