quinta-feira, 5 de março de 2026

Allen, o Mercador Reencarnado - Capítulo 03


Capítulo 03 

Depois de terminar minhas tarefas na casa de Taeko, fui até uma pequena loja da vila e comprei alguns doces baratos.

Escolhi coisas simples que qualquer criança poderia comprar com sua mesada, como um chocolate de 10 ienes e outros doces semelhantes.

Depois levei tudo comigo para o mundo de Asfial e fui até um comerciante conhecido.

— Allen, de onde você tirou isso?

Albert, um comerciante conhecido meu, experimentou o chocolate simples do tamanho da palma da mão depois de raspar um pequeno pedaço com uma faca. No início ele parecia desconfiado do que estava provando, mas logo ficou surpreso com a doçura que derretia na boca e com o aroma único do chocolate.

— E então? Acha que daria para vender para a nobreza?

Inclinei-me sobre o balcão da pequena loja de Albert enquanto perguntava. Pela reação dele, pensei que talvez fosse possível vender aquilo para nobres ou mercadores ricos da capital.

Ao me ouvir, Albert franziu a testa e mergulhou em pensamentos.

O chocolate de 10 ienes que eu trouxe do Japão era barato por lá, mas no mundo de Asfial provavelmente teria um valor bem alto.

— Esse chocolate com certeza venderia para a nobreza... mas eu não tenho as conexões necessárias. Talvez desse para tentar através de conhecidos, mas tentar vender diretamente para nobres chamaria muita atenção indesejada.

Diferente de mim, Albert havia herdado o negócio da família e ajudava na loja desde criança. Apesar de ainda estar na casa dos vinte anos, ele já era um comerciante de verdade.

Segundo ele, o chocolate que eu havia trazido tinha uma qualidade que certamente agradaria aos nobres. Ele até previu que alguns poderiam se tornar viciados naquela doçura aromática, tão diferente do açúcar comum.

Mas parecia existir algum tipo de regra não escrita entre os comerciantes que aquilo acabaria quebrando.

— É tão sério assim?

— Sim. Os comerciantes que fornecem doces para a nobreza não ficariam nada felizes. Se minha loja fosse maior, talvez fosse diferente.

Muitos nobres eram apaixonados por doces a ponto de contratarem confeiteiros e até agricultores particulares.

Normalmente, eles confiavam a certos comerciantes a tarefa de administrar o fornecimento dessas iguarias.

Na sociedade nobre, doces deliciosos eram uma espécie de ferramenta diplomática, usada para demonstrar a riqueza de uma casa.

Por isso, mesmo os nobres que não gostavam tanto de doces desejavam possuir os melhores, valorizando muito os comerciantes que os forneciam.

— A loja do Albert é pequena, afinal...

— Cala a boca... era o que eu queria dizer, mas você está certo. Um comerciante pequeno como eu não pode competir com aqueles que negociam diretamente com a nobreza.

Albert suspirou e relaxou o corpo, embora uma veia saltasse em sua têmpora ao ouvir minhas palavras.

Pela reação dele, parecia que situações parecidas já haviam acontecido antes. Havia um ar de frustração e resignação, como alguém que sabe que não pode fazer nada a respeito.

— Desculpa por isso. Vou procurar outra pessoa.

— É... faz isso.

Depois disso, deixei a loja de Albert.

(As coisas não estão indo tão bem quanto eu imaginei...)

A cidade onde moro Elarcton funciona como um ponto de conexão entre várias outras cidades.

Na parte sul da cidade há grandes armazéns onde são guardadas mercadorias destinadas a cidades importantes. Por causa disso, muitos comerciantes passam por ali, mesmo sendo uma cidade de porte médio.

Entre eles também há muitos aventureiros, que escoltam caravanas rumo a destinos distantes.

Na taverna onde entrei para pensar nos meus próximos passos, vários desses aventureiros reunidos em Elarcton para escoltar caravanas estavam bebendo.

— Mais cedo hoje apareceu uma horda enorme de goblins na Estrada de Ankia! Nosso empregador ficou preocupado, então matamos um monte deles e ganhamos 5.000 moedas de ouro!

— Cinco mil por goblins?! Esses comerciantes da cidade pagam bem mesmo!

Essas eram as conversas animadas dos aventureiros, que riam alto.

Pelo que diziam, tinham conseguido um trabalho muito lucrativo e agora comemoravam bebendo enquanto discutiam se deveriam ir ao distrito de bordéis na parte oeste da cidade.

Neste mundo, as atividades comuns entre jovens costumam ser jogos de azar, bebida e bordéis.

Hobbies como arte ou música geralmente são reservados para a classe alta das grandes cidades.

Por isso, além de Elarcton, existem muitos cassinos e bordéis voltados para os plebeus.

Dito isso, esses lugares costumam ser frequentados principalmente por aventureiros mais rudes.

Os jovens da cidade, que normalmente formam família cedo, costumam se reunir em tavernas para beber.

— Ei, Allen, você está com uma cara deprimida!

— Greu.

Enquanto eu bebia um álcool barato e pensava nos meus próximos planos naquela taverna pública, um rosto conhecido apareceu atrás de mim.

O nome dele é Greu, um homem dois ou três anos mais velho que eu.

Ele pertence à guarda da cidade, então é mais forte e acostumado a lidar com situações perigosas do que um cidadão comum como eu.

— Ainda está vagando sem rumo? Você tem uma boa aparência, então por que não arranja um emprego estável? Que tal entrar para a guarda da cidade?

— Nem pensar. Não quero lidar com bêbados.

— Hahaha! Bom, nisso você tem razão. Mas é gratificante ser respeitado pelas crianças!

Greu parecia bastante bêbado. Seu rosto estava levemente avermelhado.

Pelas várias canecas grandes de madeira que carregava, provavelmente tinha vindo à taverna com alguns colegas.

Mesmo quando falei de forma um pouco rude, ele apenas riu e continuou tentando me convencer a entrar para a guarda.

— Você é forte e bonito, Allen! Seria muito mais fácil lidar com as mulheres da cidade!

— O que você quer dizer com isso?

Na minha opinião, o próprio Greu é bastante bonito.

Na verdade, o mundo de Asfial está cheio de homens e mulheres atraentes.

Às vezes parece que estou vivendo dentro de um anime ou de uma light novel.

Segundo Greu, eu tenho um rosto que as mulheres da cidade gostam bastante.


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